“Enrolar
o novelo, fazer a trança e a meada, manobrar os fios, tecer a trama e
desmanchar tudo para recomeçar. Tarefas milenares de Penélope.
Alice se sentia nauseada. Saiu para
o ar livre, precisava de espaço. Em vez de entrar no carro, preferiu caminhar
um pouco pela beira da praia, respirar a maresia, olhar as ondas. Tirou os
sapatos, pisou na areia, andou um pouco, sentou, ficou contemplando aquele
estranho animal líquido, verde-azul de crinas brancas, arfando incessantemente,
por todos os séculos dos séculos, lambendo todos os continentes (...)”
Ana
Maria Machado em Alice e Ulisses, 1983.

Nenhum comentário:
Postar um comentário