sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um tratado pra você saber se gosta...


A saudade

Saudade faz parte da minha vida desde que eu me entendo como gente. Primeiro doía, depois passou a me confortar. Era meio que um tabu falar sobre a minha mãe, mas aos poucos me acostumei e rompi alguns silêncios com perguntas e mais tarde, a vida me brindou com muitas histórias de amigos e familiares sobre ela. Porém, aprendi a sentir saudade para conseguir viver, seguir em frente. Costumo dizer que na minha família não somos tristes e sim diferentes. A ausência também pode significar presença. 

O apego

Minha vó passou a vida inteira me dizendo que não podemos ser apegados a quem já passou (ou desencarnou, como ela usava), senão estaríamos atrapalhando a evolução espiritual deles. Só se podia rezar, mas não pedir. Com isso aprendi a deixar passar... Desapeguei bastante ao longo da vida em diversas circunstâncias! Eu deixava de sentir, mas não de pensar. 

O pensamento

Sempre pensei demais. Pensava tanto que até pesava, desde muito nova. Me preocupava com coisas comuns e incomuns, mas disfarçava bem, porque eu falava pouco, então a diferença era pouco notada.

A escolha

Como eu pensava muito, podia parecer uma dúvida, mas não era. Eu fazia as coisas mais devagar mesmo... e sou assim até hoje. Fico meio nervosa nesse mundo contemporâneo repleto de diversidade... Quando entro na COMPÃO fico “tensa” com a quantidade de sabores, frutas, água, leite e ainda pode misturar 3 sabores!! Então eu peço suco de uma fruta só, bem simples - como a vida deve ser- preferencialmente morango ou maracujá, que além de tudo deixam aquela cor linda no copo transparente.

O espelho

Já me achei feia, magra demais, barriguda, bocuda e desbundada. Até que um dia eu troquei o espelho e vi que era bonita, tinha ganho uns quilinhos que foram diretamente pra bunda e meu sorriso brilhava... eu era só um pouco desbocada mesmo. Ah, sem falar que parei de usar química no meu cabelo e hoje eu amo o jeito que ele é, com toda sua liberdade de expressão. Casar com você me faz sentir a mulher mais bonita do mundo, eu amo a forma como você me deseja...

A questão

Eu não sinto vergonha nem medo de ser quem eu fui até chegar aqui, ao seu lado. Hoje eu estou ao seu lado. Eu sinto saudade de lugares que eu conheci, pessoas que eu cruzei na estrada e me marcaram, noites que eu dancei até ficar com dores nas pernas. Sinto saudade de ouvir forró porque ele me dá frio na barriga... Sinto saudade da roda de samba porque eu amo a forma alegre de se cantar coisas tristes que os brasileiros tem. Sinto saudade de planejar as fantasias de carnaval com antecedência e ir pra todos os blocos do rio de janeiro – nem me convide pro carnaval em salvador, e Olinda só irei fora desta época – Sinto saudade de ter uma ideia de um lugar, comprar a passagem, arrumar a mala e ir – afinal, o que nos prende? Sinto saudade dos meus amigos que moram longe e dos que moram perto mas eu vejo pouco.

O perdão

Sentir saudade não significa querer largar tudo o que conquistamos até agora e sair pelo mundo de bar em bar. Sentir saudade é ter certeza que a minha vida foi maneira pra caramba até agora, que eu sou uma mulher de muita sorte e quando eu cansei das madrugadas e da música alta, de gastar muito dinheiro apenas com patrimônios culturais, eu ainda por cima encontrei você, junto com um apartamento lindo, que até é o nosso lar.

O conjunto

Precisamos planejar uma viagem.
 

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