Ontem chegou uma
caixa. Amarela. Nem grande, nem pequena. Com aquela letra conhecida, alguns
anos de amizade e trocas. Receber
presente pelo correio, endereçado ao meu nome me dá frio na barriga... As
correspondências de uma forma geral me emocionam... Lembram a Madrinha, que
mesmo morando longe, sempre me enviava uma caixa dessas, um pacote, uma
encomenda... e tinha sempre magia dentro – geralmente nessa época do ano, março,
quando completo/inicio/renovo algum Ciclo (quem sabe de aprendizagem). Ontem
abri a caixa e lá estava outra caixinha – como bonecas russas – decorada manualmente,
com bolas de todas as cores e ao ser aberta pularam sonhos, imagens, palavras,
música e até uma flor, pro meu cabelo. Um pequeno príncipe para me lembrar de alimentar
minha criança interna, a flor para enfeitar os cachos, Zoli para tocar a alma e
Galeano para tatuar a pele.
Eles são dois por engano. A noite
corrige. (Eduardo Galeano)

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