sexta-feira, 6 de abril de 2012

ela disse chega!

Então eu disse chega! E trouxe a melodia pra dentro de mim como quem importa um filho de volta pra barriga. E recomecei a sonhar. No meu sonho minha saia girava e meu corpo lançava seus músculos contra o ar e meu corpo atravessava o ar, cortando sua transparência complacente. O ar deveria ter cor, os ares dos meus sonhos tem cores... Meus músculos se dobravam, desdobravam, encolhiam, flexibilizavam e naquele balé nada clássico me levavam a um transe extasiado de prazer, som e movimento. Mais nada. Ninguém mais. Eu e meus músculos, ossos e órgãos. Minha perna esquerda já me obedecia e me dava chance de me apoiar inteira nela e debruçar todo meu peso, esquisitadamente, demoradamente, bailarinamente. E eu podia saltar, ficar nas pontas dos pés, abaixar inteira, colar no chão e renascer. Pude me contorcer, retorcer, distorcer inteira. Eu queria. Abria as pernas e as esticava, tentando colar o umbigo no chão, como sempre gostei de fazer e elas não doíam. Meu corpo mandava em mim e eu obedecia. Fingi a vida inteira que eu era uma menininha que dançava balé clássico. Na verdade sou uma louca performática bailarina contemporânea. Professora de criancinhas numa escola pública brasileira. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário